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domingo, 24 de março de 2019

Chapada: Serviço celular precário prejudica desenvolvimento do setor agropecuário

Serviço celular
Desconectado. Sem sinal de celular e sem comunicação. Em muitas áreas da Bahia a tecnologia ainda não chegou, ou é ineficiente. E na busca desesperada para se comunicar, não adianta cobrir o aparelho com arame, subir em árvore ou escalar montanhas para “pescar” algum rabicho de sinalzinho perdido na altitude. Não funciona. A desconexão é comum no interior da Bahia, principalmente na zona rural, e vem prejudicando muitos segmentos da economia, principalmente o setor agropecuário. Ao redor das fazendas, ou até mesmo na sede das propriedades, é difícil se comunicar através de celular.
Sem sinal, não adianta comprar aparelho celular. É o que pensa muita gente. Dados do IBGE mostram que a Bahia é o estado com maior número de pessoas que não tem telefone móvel por indisponibilidade do serviço. Cerca de 165 mil pessoas enfrentam este problema. Neste índice negativo, a Bahia está abaixo apenas do Pará, onde 177 mil pessoas consideram inútil comprar um aparelho de telefonia móvel. A pesquisa, realizada em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, aponta ainda que o índice de pessoas que tem celular no estado está abaixo da média nacional. Enquanto na Bahia, cerca de 71,4% da população com 10 anos ou mais de idade tem aparelho móvel para uso pessoal, a média nacional ultrapassa 78,2%.
As lacunas de serviço celular, ou baixa frequência do sinal, podem ser confirmadas no mapa de Cobertura Celular, disponibilizado na internet pela Anatel. O Mapa mostra que a intensidade de sinal é fraca, ou ausente em boa parte do estado. Existem áreas, onde nenhuma das operadoras que atuam no estado oferece o serviço. Na Chapada Diamantina, o problema atinge os moradores de muitas cidades e milhares de produtores rurais. Os agricultores da região, famosa pela produção de morango, batata, café e hortaliças, enviam remessas de frutas e verduras para vários estados, mas enfrentam problemas na comunicação com os clientes. “Temos um dos dez maiores PIB´s do estado, mas temos um precário serviço de telefonia, o que atrapalha a formalização dos negócios. Esta é uma lacuna gigantesca para o desenvolvimento econômico da região. Muitas vezes, os caminhões já estão carregados e o agricultor precisa esperar o sinal voltar para poder emitir uma nota eletrônica. Sem ela o transporte da produção não pode acontecer. É um absurdo, e quando a gente liga para as operadoras para pedir um upgrade, dizem que não tem disponibilidade para a área”, afirma Evilásio Fraga, coordenador do Agropolo, que reúne produtores rurais dos municípios de Mucugê, Ibicoara e Barra da Estiva. Apesar de movimentarem cerca de 800 milhões de reais por ano através da produção agrícola, e gerarem atualmente 3 mil empregos com carteira assinada, os produtores ainda padecem com a desconexão em mais de 70% da área. Para tentar resolver o problema, alguns agricultores ainda mantem o telefone fixo, considerado mais caro. Outros recorrem aos serviços de Whatsapp e Internet fornecidos por pequenas empresas locais, que alcançam de forma eficiente apenas as áreas urbanas. “Atualmente nos comunicamos mais pelo aplicativo. Já fizemos reuniões com os órgãos públicos para tentar viabilizar a melhoria dos serviços e não adiantou. A população está sendo prejudicada, e nós não temos um horizonte de quando teremos um serviço de qualidade”, acrescenta Fraga. Em Mucugê, município com pouco mais de 14 mil habitantes, a frequência de celular é baixa, só funciona em alguns pontos da cidade, e atinge também os turistas que visitam a região. A internet oficial da cidade não chega a atingir 1 Mb, só tem capacidade para 600 Kb, e as empresas particulares cobram cerca de 70 reais para fornecer o serviço adicional. O mapa da Anatel mostra que a Claro, a principal operadora no município, oferece serviço 4G com cinco pontos, a intensidade máxima. Quem visita a Chapada costuma avisar as famílias que pode ficar vários dias sem mandar notícias. Já as empresas de turismo se sentem prejudicadas. “Muitos clientes, principalmente os estrangeiros, acabam também não entendendo a nossa demora para responder as chamadas e retornar as ligações. Mas é exatamente a precariedade do sistema que provoca esta situação. Para minimizar esta falta de comunicação fomos obrigados a investir em um site de vendas on-line, com manutenção 80% mais cara do que um portal comum. Já para entrar em contato com os guias usamos rádios de curta distância”, afirma Flávia Brívia Ramos , da Agência de Turismo Chapada Aventure Daniel, sediada em Lenções.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) informou que fiscaliza a qualidade móvel nos 5.570 municípios do país de forma sistêmica e perene, por meio de indicadores que avaliam a existência de congestionamento ou quedas de conexão. (Foto: Vinícius Silva/Vinny Publicidade).

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